sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Infeliz

Olá, Pessoal!
Deixo-vos aqui o meu terceiro texto para o Desafio dos Sete Pecados Capitais: a Inveja.

AVISO: Esta é a terceira parte de uma série de sete pequenos textos.

A Infeliz

Laura chegou atrasada à faculdade depois do sonho irreal, mas bom, que ela teve durante a noite.
Quando chegou o intervalo, Rafael aproximou-se dela.
– Olá, Laura! Tudo bem?
Laura olhou para o colega. Mal conseguia olhar para ele depois do que tinha sonhado.
– O que se passa? – Perguntou ele, preocupado.
Ela encolheu os ombros.
– Só sono. Tive uma noite complicada.
Os dois sentaram-se numa das cadeiras do bar da faculdade.
– Já soubeste da novidade?
Laura abanou a cabeça.
– A Juliana conseguiu boa nota nos exames. Acho que teve dezoito. E falou que não estudou. Quem é que na faculdade não estuda? No secundário é fácil, na faculdade quem não estuda e tem boa nota é sobredotado.
– A sério?!
Laura não parecia surpreendida. Não parecia importar-se minimamente.
– Sim. E como se não bastasse parece que mostra ter uma boa vida. Conseguiu sair de casa dos pais, vive sozinha, quer dizer, com uma antiga colega do básico, mas sem os pais. Nós só vamos conseguir isso quando tivermos um emprego fixo.
– Eu então... – Sussurrou ela.
O Rafael percebeu.
– Vais conseguir ter uma casa própria. Em breve. Acredita.
– Isso se conseguir sair da faculdade. Tive nove e meio neste último exame.
– Conseguiste um dez, pelo menos.
– A Juliana não é exemplo para ninguém. Ela é irreal, é sortuda demais. Ela vive numa casa com uma amiga, dividem as despesas, a família dela já é rica, tem um namorado perfeito, um corpo de sonho.
O Rafael olhou para Laura, atentamente.
– A inveja é lixada! – Riu-se.
– Pelo menos posso sonhar.
Houve uns segundos de silêncio entre eles, porém o bar continuava barulhento com as outras pessoas.
– Vou ter que me preparar para a próxima aula. Ficas aqui?
Ela afirmou com a cabeça. O Rafael sorriu e levantou-se da cadeira, afastando-se. Laura continuou sentada na cadeira com o olhar fixo numa parede do bar.
– Ele não estava a falar da Juliana, estava a falar da Vitória. Ela é que é importante. Eu sou uma infeliz. – Sussurrou ela.
Respirou fundo e tirou o seu telemóvel do bolso das calças. Queria passar tempo enquanto não tocava para a próxima aula.

O próximo pecado capital será postado daqui a pouco.

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