terça-feira, 31 de outubro de 2017

Segundo Capítulo de "Encontro com o Passado"

Olá, Pessoal!
Desejo-vos uma boa leitura!

Capa do segundo livro


Capítulo 2

Excerto/trecho do segundo capítulo

Excerto/trecho do segundo capítulo

Dias depois, a Diana já tomava o pequeno almoço quando chamou a irmã.
– Ana, se chegas tarde ao primeiro dia de aulas, ficas de castigo.
– Ainda não é tarde, Diana. Deixa a tua irmã. – Pediu a Sofia, que tomava o pequeno almoço com ela, o marido José e o padrinho da filha, Bernardo.
– As duas devem estar a conversar. – Falou o Bernardo.
– Eu queria ainda levar a minha afilhada à escola, mas se a Ana não se despachar não poderei fazê-lo. – Queixou-se a Diana.
– Deixa isso, eu levo a Angelina. – Ofereceu-se o Bernardo.
Tanto Bernardo como Diana tinham passado a última noite das férias da Ana Martins em casa de Sofia e José. Bernardo e Diana tornaram-se padrinhos de Angelina, que hoje já era uma mulher. A criança, hoje, já tinha passado dos vinte anos.
– Eu é que sou o pai, mas os padrinhos é que a levam à escola. Vá-se lá perceber! – Brincou o José.
– Tu trabalhas muitas horas, José, para mim e para a Diana não custa nada.
– Eu não deixo de ficar preocupada contigo, Diana. Vais voltar para a escola onde tudo se passou? – Perguntou Sofia.
– Sou detetive, Sofia. É a minha obrigação.
– Mas depois de tudo o que aconteceu? Tu sabes que aquele 9º ano foi horrível. A Mafalda morreu e a Angelina... – Sofia fez uma pausa. A Diana interrompeu.
– Eu só vou descansar quando descobrir quem está a fazer estes homicídios. Aí estarei em paz!
O José levantou-se da sua cadeira e vestiu o seu casaco, o Bernardo seguiu-o.
– Tem cuidado. Tens a tua irmã na escola. Não vais querer perdê-la.
– Eu sei, por isso é que eu não posso falhar.
– Bem, a Márcia não pode ser porque está morta. – O José ficou calado. Não era a melhor frase para se dizer.
Nesse momento, chegam Ana e Angelina.
– Estamos prontas. Diana, podemos ir. – Quando Diana ia responder, o seu telemóvel toca. – É o meu colega João. Tenho que atender. Vai indo para o carro, Ana.
A irmã bufou e encaminhou-se para fora de casa despedindo-se da Angelina e dos amigos da Diana. A Diana atendeu a chamada.
– Estou, João... Sim, estou a sair de casa. A Ana foi buscar as fichas dos alunos... Não posso, estou com a minha irmã ainda a sair de casa... Falo contigo e com o Hélder quando puder. Até depois. – Ela desligou. – Vou ter que ir. – Levanta-se da cadeira e veste o casaco.
– Boa sorte, Diana. Não deixes a tua irmã sozinha. – Preveniu Sofia, abraçando a amiga.
– Não vou deixar a Ana sozinha e se eu não estiver com ela, a minha colega Ana estará. Nós vamos estar as duas infiltradas na escola. – Ela despediu-se do José, do Bernardo e da afilhada. – Até logo.
A Diana sentiu frio quando saiu de casa e dirigiu-se para o carro. Estavam perto de 10 graus àquela hora da manhã. A detetive ouviu a irmã assim que entrou no calor acolhedor do carro.
– Por tua causa vamos chegar atrasadas.
– Não vamos chegar atrasadas. Se chegássemos a culpa seria tua que não te preparaste cedo.
Ana mudou de assunto. Não conseguia irritar a irmã com a sua falta de pontualidade.
– Vai ser estranho ver-te na escola.
– Também a mim.
– Tu não estás na escola. Vai ser estranho eu ver-te lá.
– Eu era aluna.
– Tu já foste aluna. Para quem é detetive, o português está péssimo.
– Para quem é católica, adora falar dos erros dos outros. – Respondeu Diana, à altura.
– É gosto muito, não é adoro. – Advertiu Ana.
– As palavras são sinónimas.
– És horrível!
– Somos irmãs. Está no sangue de ambas. Está bom para ti este português?! – A Diana já brincava com a situação enquanto a Ana continuava chateada com o erro da irmã.
– Gostava de ter resposta rápida como tu.
– Devias ter tomado atenção às aulas de Filosofia. Os professores dessa disciplina ensinam uma coisa chamada retórica. É uma disciplina que vais precisar para a tua vida futura. Uma das poucas.
– Já percebi. – Ana fez uma pausa – Vais para a escola para me proteger. Admiro-te.
– Sou tua irmã. É minha obrigação proteger-te. E como detetive, é minha obrigação tentar proteger toda a gente.
– O Pedro está na turma. – Informou Ana.
– O Magalhães? – A irmã confirmou.
O Pedro Magalhães é filho de uma colega da Diana na altura do ensino secundário. Além da família e dos colegas de trabalho, o Pedro também sabia que a Diana estava infiltrada naquela escola para descobrir o famoso 666, o nome que a comunicação social dava ao assassino daquela escola. Escola essa onde Diana completou o seu ensino básico.
– Estás otimista para encontrar o tal 666? – Inquiriu Ana.
– Sim, mas tens que ter muito cuidado. Não se sabe quem é esse tal 666, mas é muito perigoso. Mesmo sem saberes até podes estar a falar com ele.
A Ana estremeceu.
– Tem calma! Eu e a Ana estamos por perto. Não vamos deixar que nada aconteça a ti e aos teus colegas. E lembra-te: Ninguém sabe que somos irmãs. Somos vizinhas.
– Tenho tudo controlado.
– O teu controlo é algo a desejar, mas não destruas tudo.
A Diana e a Ana chegaram à escola e tentaram arranjar um lugar para estacionar o carro. Quando deixaram a viatura em segurança, saíram do automóvel e encaminharam-se para a escola. Passaram pelos corredores e chegaram à sala onde ocorreria a primeira aula. Ana afastou-se da irmã quando viu os colegas. Diana olhou para Ana à espera de uma explicação.
– Eles são os meus colegas do 11º ano.
Diana viu a colega Ana Rodrigues a aproximar-se da sala e foi falar com ela.
– Tens as fichas deles? – Sussurrou.
– Sim, tenho tudo, mas queria que soubesses que o Hélder também se infiltrou aqui na escola.
– Porquê?
– Esta turma tem muitos grupinhos. Acho que entendes pela tua irmã. Quando andávamos na escola também era assim. Não éramos amigos de toda a gente. Lembras-te quando estavas nesta escola, ou não?
– A escola mudou um pouco a aparência. E lembro-me de ter tido grupinhos na minha turma de 9º ano quando aqui estava. Se bem que no final do ano fizémos um grupo apenas. Pena que hoje não tenho contato com todas as pessoas da turma, só com os pais da minha afilhada e o padrinho dela.
A Diana perdeu-se em memórias. O seu grupo do 9º ano que via muito CSI e achava piada às mortes de professores. E os outros grupos que pareciam de pessoas com pouco em comum com o deles. A campainha soou, despertando-a. A primeira aula ia começar. Aula de português. Com alguém que a Diana conheceu. A antiga colega de turma. Patrícia.

Espero que tenham gostado.

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