sábado, 28 de abril de 2018

Dinheiro é Felicidade, basta uma ida ao McDonalds

Olá, Pessoal!
Deixo-vos aqui o meu quinto texto para o Desafio dos Sete Pecados Capitais: a Avareza.

AVISO: Esta é a quinta parte de uma série de sete pequenos textos.

Dinheiro é Felicidade, basta uma Ida ao McDonalds

Alguns dias passaram. Vitória tinha combinado um jantar em sua casa com a amiga Laura. Laura estava entusiasmada já que iria voltar a falar com a amiga pessoalmente e mostrar-lhe finalmente o seu novo corte de cabelo.
Laura esperou pelo autocarro, tal como sempre faz para se deslocar, a menos que o seu pai consiga levá-la por estar de folga. Demorou alguns longos minutos, devido ao facto de a casa da amiga não ser tão perto da sua quanto o desejava.
A última vez que Laura e a Vitória falaram pessoalmente foi há dois meses. Fartaram-se de falar nessa tarde e Laura até regressou a casa a sentir-se um pouco rouca. Laura nunca conheceu a casa da Vitória, mesmo que Vitória já tenha ido a casa da amiga várias vezes. Vitória diz que a casa dos seus pais é de "outro mundo" e não gosta de convidar os amigos para irem para lá. Laura nunca percebeu a razão para tanta insegurança por parte de Vitória e teve sempre a amabilidade de tentar convencer Vitória a visitar a sua casa, nem que fosse uma única vez.
Laura saiu do autocarro e caminhou até à morada que a amiga lhe tinha enviado pelas redes sociais. Era uma rua muito chique, Laura percebeu logo que saiu do autocarro. As pessoas que passavam por ela vestiam roupas caras e pareciam de classe alta. Laura olhou para as orientações da rua para encontrar a casa da amiga. Parou subitamente perto de uma vivenda com o número 22 estampado numa parede branca. Virou-se com mais atenção para a entrada da casa. Abriu a boca de espanto. A casa da amiga não era comum. Era de gente de classe média alta.
Os seus pensamentos foram travados por alguém que caminhou para o longo portão de cor branca. Era Vitória. As duas cumprimentaram-se e Vitória abriu o portão da porta da sua casa para a amiga.
– É aqui que vives? – Perguntou Laura, ainda chocada.
Vitória afirmou com a cabeça. Não parecia sorrir.
– É por causa disso que eu nunca convido ninguém para vir até aqui.
– Porque não?
– Porque as pessoas ficam sempre a olhar para cada canto da casa e a pensar que eu sou rica.
– E tu não és?
– Sou, mas... Tu percebeste. Entra. – Pediu Vitória, indo à frente para abrir caminho para Laura.
Laura mostrava-se surpreendida com cada coisa brilhante que via. Era evidente que Laura nunca tinha entrado numa casa daquelas. Laura nem tinha dinheiro para viver numa casa daquelas.
– Quando achar que és péssima como amiga, vou lembrar-me que vives aqui neste palácio. – Atirou Laura, maravilhada.
Vitória fez um ar sério.
– Parece um palácio, mas não é. Isto é só dinheiro.
– E o dinheiro paga muita coisa.
– Sim, mas não as coisas que realmente valem. O amor e a amizade.
Vitória e Laura continuaram a caminhar pelos corredores da casa enquanto conversavam. Vitória fazia uma visita guiada à amiga.
– Para que é que tu queres tudo isso? Olha para o meu exemplo: tenho um rapaz que eu gosto que mal olha para mim, dinheiro também nem vejo. Só me restas tu.
– E eu espero ser importante. – Vitória parou subitamente. Laura parou de seguida.
– Tu és importante. A única coisa importante.
– Mas estás a dar muita importância ao que eu tenho. Eu não quero isso. Não quero que te sintas assim.
– Olha, é melhor viver numa mansão que num apartamento alugado.
Vitória colocou as mãos ao alto.
– Bem, cada um com a sua realidade.
As duas sentaram-se no sofá da sala. Em frente delas, um enorme ecrã de uma televisão reluzia. Laura apontou para o objeto.
– Quanto é que pagaste por aquilo?
Vitória olhou para a televisão.
– Nem eu sei.
– Não contas o que tens?
A amiga encolhe os ombros.
– Não, eu tenho muito.
– Fogo! – exclamou Laura, atirando-se para as costas do sofá e colocando as duas mãos na cabeça. – Eu não sei se conseguiria habituar-me a viver assim. Eu conto cada tostão que tenho e que ganho. Os meus pais mal têm dinheiro para pagar as propinas da minha faculdade, ando a trabalhar num café em que me pagam mal.
– Preferia ter a tua vida.
Laura olhou para a amiga, sem acreditar. Tirou as duas mãos da cabeça e pousou-as no seu colo.
– Mas tu estás a gozar comigo? Estamos num mundo capitalista, dinheiro é necessário para tudo.
– Para tudo não. Tu não pagas para ser feliz, para ter amigos...
Laura interrompeu Vitória.
– Há quem pague. Pagas para ter gente à tua volta, para não te sentires sozinha. E basta comprares cinquenta menus do McDonalds e já te sentes feliz. Dinheiro é felicidade, basta uma ida ao McDonalds.
Vitória não se riu.
– Não percebes o que eu quero dizer.
– Claro que não, nem nunca irei perceber.
Nesse momento, uma mulher vestida de empregada surge na sala.
– Boa noite! Menina Vitória, já posso servir o jantar?
Laura abriu a boca de espanto.
– Tens empregada?
Vitória abanou a cabeça para Laura e voltou a atenção para a empregada.
– Sim, dona Maria. Obrigada.
A empregada retirou-se e Laura voltou a falar.
– E ainda falas que te sentes mal. Quem me dera...

O próximo pecado capital será postado daqui a pouco.

O que vocês esperam que seja o final? Gostaria de comentários!

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