segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A Fantasia dos Prazeres do Natal

Olá, Pessoal!
Aqui está o meu texto para o Desafio de Dezembro.

Informações:
- Desafio de Dezembro.
- Personagem Principal: Fantasia dos Prazeres (Personagem do livro "Encontro com o Passado").
- Não escrevi sinopse, pois pensei em escrever um capítulo aparte, algo solto, apenas para os leitores.
- Título: A Fantasia dos Prazeres do Natal.

Espero que gostem!


Estava frio. Era impossível sair da cama às oito da manhã, mas, para a Ana Carretas, era importante. Não que ela tivesse família. Na verdade afastou-se da sua família há muito tempo. Porém passar a noite de Natal em casa era impensável. Queria convidar pessoas. Queria convidar amigos.
Levantou-se, vestiu-se e, satisfeita, preparou-se para sair de casa. Diferente de um dia de escola, Ana tinha-se, rapidamente, vestido. Caminhou até à paragem de autocarro mais próxima enquanto olhava para o telemóvel. Estava tão atenta ao telemóvel que não viu o Pedro Magalhães aproximando-se dela.
– Olá, Carretas! Tudo bem?
Ela mostra-se chocada e abraça-o, desajeitadamente.
– Olá! O que estás aqui a fazer?
–  Vim visitar-te.
– Pensava que estavas com a tua família.
– Foram para a terra. Fiquei só eu e a minha irmã.
Ela afirma com a cabeça.
– O que estavas a fazer? Para onde ias?
– Estava a esperar pelo autocarro. Queria ir a casa da Ana Catarina.
– Vim com a Andreia, a Diana e a Ana Martins, se quiseres vir connosco...
– Estás com elas?
– Sim, íamos passar o dia de Natal em casa do Guerra. Parece que os pais dele não se importam.
A Ana Carretas riu-se, aceitando a boleia do colega de turma.
Quando atravessaram um parque de estacionamento, a Ana Carretas viu a Ana Martins, mas quem falou primeiro foi a Andreia, que vinha no banco de trás do carro.
– Olá, Carretas! Tudo bem?
A Ana cumprimentou as três colegas de turma e sentou-se no banco de trás ao lado da Andreia e do Pedro Magalhães.
– Ainda bem que o carro tem cinco lugares. – Comentou a Ana Carretas.
– Era mesmo para te virmos buscar. Sabemos que passas o Natal sozinha. – Disse a Ana Martins.
– Na verdade, ia combinar alguma coisa com a Ana Catarina.
– Podes chamá-la para vir ter a casa do Guerra. – Avisou o Pedro Magalhães.
A Ana Carretas pegou no telemóvel procurando o número da colega. Os restantes permaneceram em silêncio enquanto a estudante falava com a Ana Catarina. Quando terminou a chamada, o Pedro perguntou-lhe:
– Onde passaste a noite? Em casa?
– Não. Eu trabalhei. – Fez uma breve pausa – Como Fantasia dos Prazeres.
– Não gostas muito do Natal, certo? – Inquiriu a Diana, enquanto conduzia.
– Não muito. Não gosto porque é dia da união e da família. Família não tenho e união muito menos. Sou só eu.
O automóvel chegou perto da casa do Pedro Guerra. Os cinco saíram do carro falando de assuntos aleatórios. A escola deles, logo à frente da casa do colega, era uma vista não muito agradável. O colega recebe-os em sua casa, com satisfação.
– Sempre conseguiram buscar a Carretas? – Perguntou ele, vendo a colega.
– Claro que sim. Ela passa sempre o Natal sozinha. Mas, desta vez, parece que queria convidar a Ana Catarina. - Respondeu o Pedro Magalhães.
– Entrem, estejam à vontade! – Exclamou o colega, dando passagem para os amigos entrarem.
– A Ana Catarina também virá. Não há problema? – Questionou a Diana.
–  Claro que não. É só colocar mais um prato na mesa. – Respondeu o colega, fechando a porta e encaminhando-se para a cozinha.
A Ana Carretas deu uma volta à roda da mesa. Nos dias de festa, era do fundo do interior do armário que saíam os copos. Os copos já lá estavam, tão frios e luminosos que mais pareciam vindos do interior de um frigorífico do que do fundo de um armário. Em cima da mesa havia coisas maravilhosas: bolas de vidro, pratos natalícios, uma belíssima toalha. Era uma festa. Era o Natal. Algo que para a Ana Carretas nada significava.
Ana virou-se para um canto da sala. Lá estava uma árvore de Natal, toda enfeitada com uma estrela brilhante na ponta. Nunca enfeitou uma árvore. Ou não se lembra de alguma vez a ter feito.
Perdida em pensamentos, só percebe a Ana Martins a aproximar-se dela com um presente embrulhado.
– É para ti. –  Diz a colega.
A Ana Carretas olha para a Ana Martins, surpreendida.
–  Para mim?
– Sim, nós distribuímos presentes uns para os outros no dia de Natal. Esta é a tua, paga por todos.
A Ana Carretas olhou para os colegas de turma. Estava espantada. Nunca tinha imaginado isso acontecer.
– Obrigada.
A Ana Carretas abriu o embrulho: Era um CD da Lady Gaga, a sua cantora favorita.
– Foi a Ana Catarina que nos ajudou a comprar. – Avisou o Pedro Guerra.
– Obrigada! – Disse ela, abraçando os colegas de turma.
Foi o primeiro dia de Natal em que ela realmente teve união e família: O verdadeiro significado do Natal. Nunca o seu nome "na noite" fez tanto sentido. Fantasia dos Prazeres.


Espero que tenham gostado!

Bom Natal!

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