sábado, 5 de outubro de 2013

Capítulo 10

(Observação da autora no dia 23/09/2018 - Corrigi possíveis erros ortográficos deste projeto chamado "O Colégio Interno". Já é possível relê-lo de forma mais adequada. Não sei se será lançado em livro algum dia, mas não alterei qualquer palavra ou enredo, apenas erros).

Capítulo 10

Um dia passou, a directora falou com a turma e disse que iam entrar mais dois rapazes. Chamavam-se Tomás e Duarte. Eles eram de Lisboa. Os rapazes chegaram à escola e partilharam o mesmo quarto. Eram amigos. Um novo ano estava a começar para estes dois rapazes.
A primeira aula começou e o Duarte pediu à Vânia para lhe mostrar a escola. A Vânia mostrou-se prestável e acompanhou-o. A Fabiana comentou algo com a Camila e com a Zélia.
– O que acham daquele rapaz?
– Um pouco convencido. – Respondeu a Camila.
– Parecem ter cara de mafiosos. O Duarte e o Tomás. – Disse a Zélia.
As outras duas concordaram.
– Meninas, por não gostarem deles não quer dizer que sejam mafiosos. – Disse o Raul, indo para perto delas, com os irmãos, a Melissa e a Estela.
– Esse tal de Duarte faz-se acompanhar pela minha melhor amiga. – Disse a Fabiana, cruzando os braços.
– A Vânia? – Perguntou o Nelson.
– Sim, a Vânia.
– Eles devem ser uns meninos ricos mimados. – Disse a Estela.
A Fabiana olhou para a Estela.
– Parece que concordamos em alguma coisa.
As duas olharam-se com desprezo.

***

Umas horas passaram e a Fabiana foi falar com a melhor amiga.
– Vânia, o que se passa contigo? Estás bem?
– Claro, o Duarte ajudou-me imenso. Estamos a conhecermo-nos.
– A conhecerem-se?
– Sim, estamos a pensar em namorar.
– O Duarte?
– Sim.
Foi então que ela compreendeu. Compreendeu mesmo.
– Vânia, olha bem para mim. – Pediu a Fabiana.
A Vânia subiu o olhar para a amiga (a Fabiana era muito alta). Percebeu logo tudo. O seu olhar, a expressão do rosto. Com o desgosto que teve com o Nelson, a Vânia queria outra pessoa que a fizesse feliz. Mas o Duarte? Aquele idiota com cara de “sou o melhor” e já com todas as raparigas do colégio apaixonadas por ele logo no primeiro dia? Ela não podia acreditar. Ele tinha apanhado a melhor amiga dela. Bem... o que é que ela podia fazer? Ficar quieta e deixá-lo levá-la? Não! Não haveria segunda vez para ser tarde demais. Teria que actuar já, ou as consequências seriam terríveis.
Nesse momento, o Duarte apareceu no mesmo corredor que elas. Bem... ele até que era giro, mas não prestava, pensava a Fabiana. Passados uns segundos, o Duarte tinha percebido o olhar da Fabiana e estava a virar-se na direcção das raparigas.
“É agora ou nunca. Está na hora de mostrar quem manda. Adeus, Duarte. A tua fama está prestes a acabar.” – Pensou a loura.
– Bom dia, meninas! – Exclamou ele, com uma cara de sonso.
Por momentos, a mente da Fabiana deixou de funcionar. Ele era mesmo giro, tinha de admitir, mas não podia dar o braço a torcer, pois tinha que ajudar a Vânia.
– Bom dia, Duarte. – Saudou a Vânia.
– Bom dia, idiota. – Disse a Fabiana, séria.
Ele olhou para ela. Parecia admirado.
– O que se passa contigo? Estás contra mim?
– Cara de anjo, alma de terrorista, tens uma bela combinação. – Brincou ela.
– Pára, Fabiana. Queres ir ao bar, Duarte?
– Claro, anda.
Ele deu-lhe a mão e caminharam para fora do corredor. A Fabiana seguia-lhes com o olhar. “Tenho de fazer alguma coisa”. Caminhou no sentido contrário onde a melhor amiga e o idiota tinham saído e viu o Fábio com os irmãos e as duas inimigas. Decidiu ir ter com eles.
– Já viram esse Duarte?
– Aqueles rapazes são muito estranhos. – Disse a Melissa.
– Pelo que sei o Duarte é filho de um pai polícia. – Disse o Nelson.
– Coitado do pai dele. Não deve querer pôr o filho na cadeia. – Comentou a Fabiana.
– Mas ele não é assassino. – Disse a Estela.
– Não sabemos. – Disse a Melissa.
O Nelson olhou para a Melissa.
– Também tu? Ele é só um idiota que decidiu mudar este colégio.
– Anda a enganar a minha melhor amiga. – Disse a Fabiana.
– A Vânia sabe o que faz.
– Acredita em mim, Nelson, ela não sabe.
– Aquele tipo deve ser só sarilhos. – Disse o Raul.
O Nelson respirou fundo. Não havia maneira de o Raul ter a certeza disso. Basicamente, o Duarte tinha aparecido do nada só naquele dia. Eles nem sequer o conheciam. Como é que ele podia saber alguma coisa sobre o rapaz? Qualquer coisa que fosse? Mas quando o Nelson disse isso, a Fabiana ripostou:
– Tu já olhaste bem para ele?
O Nelson tinha de admitir, eles tinham razão. Quer dizer, o tipo tem o ar de quem acabou de sair de uma prisão de luxo ou algo do género. Não se pode confiar num tipo assim tão, enfim, perigosamente charmoso para o sexo feminino.
– Vamos segui-lo. – Disse a Fabiana.
– Estás louca?! – Disse o Nelson.
Ainda que fosse estranho, não se sentia bem a seguir outras pessoas de um lado para o outro. Não é bonito. Mesmo que, tal como os amigos disseram, seja só para se certificarem de que a Vânia não se meteria em confusões. Sabia que a Vânia era a sua miúda, agora ex-miúda, graças ao Duarte (e também pela Melissa). E, bem, ela também nunca foi flor que se cheirasse. Mas ir atrás dela juntamente com o gajo que ela engatou? Parecia simplesmente um desperdício de tempo.
– Vamos desmascarar aquele idiota. – Disse a Fabiana.
Todos concordaram, excepto o Nelson.
Sujar a camisa do Duarte sem querer? A directora iria acabar por descobrir. Mas o Nelson também pensou que raio de outra coisa ele iria fazer numa sexta-feira à noite? Mas enfim... ele acabou por dizer aos amigos que concordava com o plano.
– Eu só queria saber uma coisa. – Disse ele para os amigos.
– Saber o quê? – Perguntou o Raul.
– O que é que este Duarte tem que mais nenhum rapaz tenha?
Os amigos olharam uns para os outros. A Fabiana sorriu.
– Comparando contigo acho que só a altura. Ele é mais alto que a maioria dos rapazes deste colégio.
– Claro que não é comparando com ele. O Nelson namora comigo, não com a tua melhor amiga. – Disse a Melissa.
O Raul travou a conversa delas, antes que fosse tarde demais.
– Bem, esse Duarte tornou-se popular. – Disse o Fábio.
A resposta à pergunta do Nelson era bastante óbvia, para qualquer pessoa que olhe para o Duarte, o que é que ele tem que o Nelson não tenha. O Nelson tem um aspecto decente e tudo, mas não é um anjo caído do céu. O Nelson estava a sofrer com aquilo. E todos os amigos podiam compreender o porquê. A Vânia decepcionou-lhe muito, enquanto ainda namoravam. A Vânia era aquela miúda que qualquer rapaz quereria namorar, mas não era uma boa rapariga. Tinha aquele ar de Bad Girl que significava um grande perigo, em algumas situações. O Nelson gostava dela, mas a relação entre eles piorava dia após dia até definitivamente acabar.

***

Enfim, sexta-feira chegou e ao jantar, o Nelson entornou a sua bebida na camisa do Duarte. A Fabiana só ria, vendo que a ideia dela estava a funcionar. O Nelson até achou engraçado ver aquelas manchas na camisa do rapaz. Tudo estava a correr maravilhosamente, até à reacção dele. Foi tudo o que menos se esperava. A directora chegou e ia dar um castigo ao grupo, mas o Duarte salvou-os dizendo que tinha sido sem querer e foi trocar de camisa. A Fabiana não queria acreditar. A Vânia, destroçada, foi ter com a amiga e pediu-lhe explicações. A Melissa mandou um copo com água à camisola da Vânia e ela foi trocar de camisola. O Nelson abanou a cabeça, reprovando o gesto da namorada.
– O que foi? Ela estava a querer fazer-me alguma coisa, eu fui mais rápida. – Disse ela.
O Duarte apareceu de novo no refeitório e caminhou para perto do amigo, Tomás. Olhou, com olhos arregalados, para a Estela. Parecia que só agora lhe estava a prestar atenção. O Fábio notou o olhar do rapaz.
“Há qualquer coisa na maneira como ele está a olhar para ela que me faz... bom, só sei que não é para ali que quero que aquele tipo olhe.” – Pensou ele.
– Anormal. – Murmurou. Principalmente para o Duarte, mas também um pouco para si próprio. Depois pegou num copo com água e encaminhou-se para perto dos dois rapazes. Nesse momento, o Duarte olhou para o Fábio. O Fábio tinha chamado a sua atenção. Ao olhar para ele, Fábio recebeu um olhar flamejante.
“Vá lá. É isso mesmo. Anda lá, Duarte. Queres lutar? Tenho muito mais do que copos com água.” – Pensou ele.
O que não é exactamente verdade, pois o Duarte deitava abaixo o Fábio uma única vez, sem precisar de muito esforço. Mas acaba por não interessar nada, porque, de qualquer maneira, o Duarte não vai à luta. Em vez disso, desaparece. Não quer dizer que se vire calmamente e se vá embora do refeitório. Quer dizer que, num minuto está naquele sítio de pé, no outro está... bem, não está. Durante um segundo, ele tinha desaparecido do refeitório a correr e a Vânia estava sozinha.
– Toma. – Disse o Fábio, dando o copo com água ao irmão Nelson.
– Que raio...? Tu apareceste e ele fugiu. Para onde é que ele foi? – Perguntou o Nelson ao Fábio.
– Traz a Vânia e anda comigo ao corredor. – Disse o Fábio, indo embora do refeitório.
O Nelson olhou para os amigos com um olhar inquisidor. A Melissa olha para o Nelson. Ele não disse nada, apenas foi ter com a Vânia, seguido pelo olhar perigoso da Melissa. Quando a alcançou, esta respirava fundo.
– Ei! – Chamou-a, suavemente. Não a queria assustar, mas acabou por o fazer. Ela praticamente deu um salto e fitou-o com os seus olhos castanhos grandes e assustados.
– Ei, calma. – Tranquilizou-a – Ele já se foi. Não está por perto.
– Foi-se? – Os olhos dela descreviam o terror e o medo – Como... porquê? O quê?
– Desapareceu, simplesmente – Encolheu os ombros – Ele não é boa pessoa, também estava a criar outra vitima. A Estela. Eu simplesmente alinhei na conversa deles e estive certo.
– Tu o quê?
O terror desapareceu rapidamente no rosto dela, como o Duarte. Mas, ao contrário do Duarte, qualquer coisa tomou o seu lugar: A raiva. A Vânia estava irritada, furiosa.
– Oh meu Deus, Nelson! – Explodiu – Perdeste a cabeça? Fazes sequer a mais pequena ideia do que aquele tipo é?
– Sim. – Respondeu. A verdade é que a Vânia ficava gira quando se zangava. O Nelson nem acreditava que nunca tinha dado por isso. Bem, ele nunca a tinha visto furiosa. Era o novo namorado da Vânia. Aquele tipo não valia nada.
– O que estás aqui a fazer? – Perguntou ela, num tom de voz suavemente atordoado.
– Aparentemente, o mesmo que tu. – Replicou ele.
– A Fabiana gosta do Duarte. – Disse ela.
Então o problema era esse. O Duarte era adorado por todas, até pela rapariga que dizia odiá-lo. Ele tinha de admitir, sentia-se um bocado esquisito quando se apercebia disso. Ele estava com a Melissa, mas gostava da Vânia e a Vânia gostava e namorava com o Duarte. Estava um pouco desiludido. Ele pensava que uma rapariga como a Vânia teria mais bom gosto, em vez de andar com um tipo como o Duarte. O que só ia provar que era verdade aquilo que os irmãos lhe estavam a dizer, principalmente o Fábio.


Leitores que são do Brasil:
- Tipo/Gajo/Rapaz = Garoto;
- A expressão: "Flor que se cheirasse" = A Vânia não era boa rapariga/garota).

Fim do Capítulo 10.

29 comentários:

  1. tem um certo romance um dos melhores.parabéns!sei que deve ter sido dificil.

    ResponderEliminar
  2. tá lindo.
    posta logo.

    Beijos,
    Natasha Alyosha.

    ResponderEliminar
  3. A Vânia é louca!Ela quer o Duarte?
    Posta mais.

    ResponderEliminar
  4. Acho que o Duarte vai desaparecer com alguém,se é que me faço entender.

    ResponderEliminar
  5. eheh!como soubeste que estava a divulgar?
    posta depressa.quero mais
    estou a adorar <3

    ResponderEliminar
  6. Adorei!Foi muito bom!
    Quero saber quem é esse Duarte.É muito estranho.

    ResponderEliminar
  7. que mistério.quem é o Duarte?

    ResponderEliminar
  8. Esse Duarte é suspeito e o Tomás também não fica muito atrás.
    Quero ler mais para saber se estou certo ou não.

    ResponderEliminar
  9. isso foi um romance,bem escrito.estranho..não sei quem é o Duarte mas gostaria de saber o que ele quer.

    ResponderEliminar
  10. romance com mistério?foi bem conseguido.

    ResponderEliminar
  11. Está melhor escrito que os outros.Tem uma narração envolvente.
    Gostei.
    Continua.

    ResponderEliminar
  12. Que lindo!
    Não gosto desse Duarte,acho que ele não é boa pessoa/personagem.
    Esperar para ver.

    Posta logo.

    Beijos,
    Juh :)

    ResponderEliminar
  13. Que confusão.Disse no capítulo anterior e digo neste também.Não faço ideia quem seja esse Duarte mas coisa boa não deve ser.

    ResponderEliminar
  14. que lindo.o melhor capitulo da história.

    ResponderEliminar
  15. Para onde é que foi o Duarte?Matar alguém???
    Que curiosidade!Quero mais!

    ResponderEliminar
  16. gostei do capitulo.
    espero por mais.

    ResponderEliminar
  17. Sua linda esse IB é Muito bom
    Continua ok?
    Comenta no meu?
    Fiic e Ciia (Pesquisa no Google kkk)
    Beijos :*
    Fiic e Ciia (Victoria Velloso)

    ResponderEliminar
  18. O post está maravilhoso, Diana seguindo o seu blog te convido pra você conhecer o meu blog fique com Deus beijos.

    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br

    ResponderEliminar
  19. Lindo texto amei! *-*

    www.jessicarocha.com.br

    ResponderEliminar
  20. comecei a ler a poucos dias, mas estou adorar a historias, adoro Histórias de terror.
    estou super curiosa para saber o que vai acontecer a seguir.
    beijokas

    ResponderEliminar
  21. Oi!
    Parabéns pelo trabalho!

    Beijos

    www.mixturinha.com

    ResponderEliminar
  22. Um bom texto.
    Estou seguindo, passe para conhecer o meu.

    beijos

    ResponderEliminar
  23. Amei o texto beijos!
    http://janaooucoaminhavoz.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
  24. Nossa acabei de conhecer o seu blog e adorei.
    Quero muito ler a história desde o começo. Vou mexer no seu blog para encontrar o primeiro capítulo.
    Beijos
    http://luninhacat.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
  25. Muito bom o capítulo. No entanto estou a ver muito sobrenatural nesta história, embora ainda esteja no inicio. Pensava que não escrevias sobre o sobrenatural. Estou a gostar de ler, no entanto devias de ver o que escreves. Há expressões que eu acho que não estão correctas. Se calhar até estão, agora com o novo acordo autográfico, mas eu sou oldschool ainda escrevo e leio da forma antiga. Por isso peço desculpa se estiver enganada. Cada autor tem o seu registo de escrita. Se fazes de propósito ou se é assim mesmo a tua forma de escrever, não corrijas nem ligues ao comentário desta maníaca da escrita! A sério, muitas vezes vejo erros onde não estão. Acho que ainda vou ficar conhecida por criticar apenas a forma de escrever e não o conteúdo da história...

    ResponderEliminar
  26. Oi!
    A segunda parte do capítulo ficou ótima!
    Não confio nesse Duarte, é muito estranho...
    Posta logo!
    Poderia retribuir, visitando meu blog? Quero saber se estou melhorando ou piorando na fic, e como foi você que a criticou, vai saber me falar.
    Beijos!

    ResponderEliminar

Obrigada pelo comentário, a sua opinião é importante para o escritor.